Edições anteriores
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Mouro: Revista Marxista, ano 13, n. 16, vol. 1
n. 16 (2026)Mouro-Revista Marxista apresenta uma novidade em sua 16ª edição: um volume em formato digital, lançado antes da versão física, antecipando alguns dos artigos que irão compor a versão final. Dessa forma, garantimos a divulgação de conteúdo que consideramos relevante de forma prévia, sem aguardar as vicissitudes da publicação em papel.
Isso não significa abandono do rigor com o material publicado ou descuido com a versão física, pelo contrário. Pretendemos garantir a intervenção no debate público divulgando reflexões que dialogam tanto com a conjuntura (efervescente) quanto com as questões estruturais da sociedade capitalista e de sua crítica sob o prisma marxiano. Por outro lado, pretendemos aperfeiçoar a qualidade do material gráfico, uma vez que não abrimos mão de associar política e arte. Daí a lacuna entre as publicações digital e em papel. Mas, como a elaboração e impressão requerem um tempo diferente em relação à divulgação digital, resolvemos adotar o formato que, de forma acidental e fugidia, acabou sendo antecipado na separata que homenageou Florestan Fernandes na edição 15.
Apresentamos ao público, então, os quatro primeiros artigos do volume I da edição 16. Lincoln Secco escreve em “Uma Memória da Revista Práxis” sua experiência pessoal como colaborador de uma revista que buscou, ao longo da década de 1990, resistir à onda antimarxista que se seguiu ao fim da União Soviética, bem como compreender os desafios que a abordagem marxiana enfrentava naquela conjuntura. Ao mesclar sua experiência pessoal com uma análise do período, Secco resgata as contribuições de importantes figuras da esquerda brasileira que marcaram presença na revista, como Florestan Fernandes, Jacob Gorender e Ronald Rocha. Frederico Duarte Bartz, em “Algumas Reflexões Acerca dos Lugares de Memória do Movimento Operário Paulistano”, discute como a urbanização de São Paulo entre o final do século XIX e início do XX criou espaços de sociabilidade e mobilização operárias que foram sendo gradualmente apagados da memória da cidade. Luiz Eduardo Simões de Souza e Eliziane Gava, em “A Crítica ao Programa de Gotha e a Nova Política Econômica (NEP): Uma Reflexão sobre a Transição ao Socialismo”, fazem uma análise da NEP soviética de 1925 à luz do texto clássico de Marx, datado de 1875, apontando para os desafios da transição de uma economia de mercado para uma economia socialista. Por fim, Janes Jorge, em “O Partido da Militância: Um Encontro de Base do Partido dos Trabalhadores na Cidade de São Paulo, em 2015”, resgata a história de uma experiência de organização de base do PT, em um momento de acirramento político, cujas consequências e desafios ainda se fazem presentes. No evento que dá origem ao artigo, foi possível identificar muitas ideias e sentimentos presentes na militância de base do período.
Cumpre notar que o artigo de Lincoln Secco se inscreve em um projeto da Mouro de resgate da história da revista Práxis, por meio da republicação digital de seu conteúdo, que conta com a colaboração inestimável de um de seus editores, o companheiro Néliton Azevedo. Já está disponível em nosso site o arquivo PDF da edição de número 10 da Práxis; e nosso projeto é disponibilizar todas as edições que estavam hospedadas no site já desativado da revista. É uma singela homenagem ao conjunto de camaradas que contribuiu para este importante empreendimento político e intelectual.
Esperamos que este primeiro volume da edição 16 agrade aos nossos leitores, tanto aos antigos quanto aos novos que a conhecem agora. E convidamos que aguardem o segundo volume, programado para o início de 2026.
Boa leitura!
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Mouro 15
v. 12 n. 15 (2022)DOSSIÊ: 100 Anos de Florestan Fernandes
O ano de 2020, apesar de muito difícil para o Brasil e o mundo devido à pandemia do coronavírus, teve duas importantes efemérides para a esquerda: o bicentenário de Friedrich Engels e o centenário de Florestan Fernandes. Cem anos separam o nascimento do companheiro de lutas e de estudos de Karl Marx e o nosso patrono da sociologia brasileira. Deputado constituinte entre 1987-1988, Florestan levou ao parlamento sua experiência de educador e pesquisador, respeitado até pelos adversários conservadores. A Revista Mouro, cujo mantenedor (Núcleo de Estudos do Capital) nasceu em reuniões no escritório político de Florestan em São Paulo, não poderia deixar de prestar sua homenagem a um dos principais nomes do pensamento social brasileiro e da esquerda marxista.
Este dossiê, lançado agora em forma de separata para registrar a homenagem no ano do centenário de Florestan, fará parte da edição da revista em papel que estará à disposição do público em 2021. Conta com dois artigos de docentes experientes e dois jovens pesquisadores, que visitam a obra do velho mestre para debater as suas diferentes contribuições, da sociologia e antropologia clássicas (de matriz funcionalista), passando por suas reflexões políticas de cunho eminentemente marxista. Certamente existem outros temas caros ao catedrático uspiano, como a questão racial, a cultura popular e o papel emancipador da educação, que são apenas referidos nos textos que compõem o dossiê.
Lincoln Secco, docente da USP que conheceu Florestan quando ainda era um jovem estudante de graduação, escreve sobre os processos que levaram o catedrático da Universidade de São Paulo, elogiado pelo eminente sociólogo estadunidense Talcott Parsons, à militância socialista da maturidade - militância que abandonara na juventude por conselho de seu amigo Antonio Candido, para a dedicação integral aos estudos.
Silvia Adoue, docente da Unesp de Araraquara, escreve sobre o rigor analítico do sociólogo em início de carreira, que conseguiu reconstruir a forma como viviam os Tupinambá, para além dos preconceitos dos europeus que travaram contato com eles no século XVI e deixaram registros escritos. Ela demonstra como os estudos de Florestan ajudam a entender a reconstrução da identidade indígena de seus atuais descendentes, que vivem hoje na Bahia.
Marcelo Ferraro, historiador e doutorando em História Social na USP, faz um balanço do impacto da obra A Revolução Burguesa no Brasil na análise sobre o comportamento das elites brasileiras na segunda metade do século passado, com consequências no país que vê hoje conquistas democráticas sob risco de serem anuladas, com a ascensão de forças reacionárias.
Felipe Duarte, economista e mestre em Ciências Sociais, discute os conceitos de capitalismo dependente e subdesenvolvimento na obra do autor, que orientou o doutorado de dois sociólogos notórios pelas pesquisas na área: Fernando Henrique Cardoso e Octávio Ianni. Em Florestan, analisar o caráter dependente do capitalismo brasileiro leva à compreensão do projeto subalterno dos donos do dinheiro no Brasil ao imperialismo norte-americano, com seus sócios do capital europeu.
Enfim, esta homenagem não pretende ser exaustiva, abrangendo as diversas contribuições de Florestan Fernandes às ciências sociais e à esquerda brasileira. Muitas obras, antes e depois do falecimento do autor, atingiram este objetivo. A Revista Mouro procura apenas cumprir sua obrigação de marcar, com este dossiê, o centenário de alguém que influenciou gerações de estudiosos e militantes socialistas.
Florestan, presente! -
Mouro 14
v. 11 n. 14 (2020)Mouro chega ao seu número 14 com a primeira mudança de sua Comissão Editorial. A revista atravessou uma época rara na história brasileira. Nunca antes esse país passou tão célere de um momento de prestígio internacional, ascensão econômica e melhoria da renda para outro inclassificável: de perda de direitos, recessão, desemprego e, fundamentalmente, desesperança. Mas tampouco, e por outro lado, já existira no Brasil uma organização política com as dimensões e o enraizamento do Partido dos Trabalhadores. Esse fato não deve ser ignorado.
Para a Mouro, é bom que se diga, o golpe não foi um raio em céu azul. Chamamos a atenção muito antes para o lawfare, para os erros de política econômica, a ausência de política militar, os perigos do fascismo e até mesmo para os desvarios repressivos dos governos petistas.
No entanto, para muitos era inimaginável que um governante neofascista chegasse à presidência da República. Era inconcebível que o esgoto das redes sociais, a linguagem chula da classe média e as práticas milicianas fossem instaladas no Palácio do Planalto.
A “filosofia” dominante, produzida por um falso astrólogo, tornou-se a expressão acabada do poder do narcopentecostalismo. E tudo isso foi normalizado, ainda que com certo pejo, pela imprensa burguesa. Quem poderia aceitar a ideia de que a elite se curvasse à ralé e sacrificasse seu domínio político em nome de sua salvação econômica? Como foi possível?
Nem tudo sabíamos, mas algum conhecimento histórico nos permitiu imprimir em nossas páginas a denúncia de Marighella de que a nossa democracia é racionada e só existe como interregno entre ditaduras. Em 2016, uma vez mais a burguesia antinacional sacrificou a democracia no altar dos seus lucros.
Eppur si muove! A revista, apesar de tudo, venceu a tempestade e ousa agora trazer um dossiê sobre o centenário da Internacional Comunista (1919-2019), bem como resenhas e artigos de estudiosos e estudiosas, acadêmicas ou não, de notável valor intelectual, que discutem temas de grande importância para as lutas de ontem e de hoje. Assim também o fazem as entrevistas dispostas neste número 14. E como jamais poderia deixar de ser, veremos nas páginas a seguir um grande volume de trabalhos artísticos, marca registrada da Mouro, os quais, nas suas diversas expressões, debatem e se batem, refletem e meditam, espantam e encorajam enquanto “transfiguração imaginativa do real”, como dizia Edgard Carone. A leitora e o leitor aqui encontrarão, portanto, discussões sobre os problemas teóricos e os dilemas históricos que ajudarão a refletir sobre nossa luta de sempre pelo socialismo.
Parte da pequena equipe que produzia a revista Mouro aqui se despede e passa o bastão a quem chega com mais energia, novos temas, novas abordagens e muitas esperanças. O trabalho, não o afeto, se encerra. Perto ou longe, estamos sempre juntos. -
Mouro 3
v. 2 n. 3 (2010)Este terceiro número da Revista Mouro faz uma homenagem ao historiador Wilson do Nascimento Barbosa. Nascido no Rio de Janeiro em 1941, ele é antes de tudo poeta e lutador. Escreveu inúmeras poesias (em sua maioria ainda inéditas).
Sua formação inicial se deu no curso de História na antiga Universidade do Brasil. Ele também se graduou em Economia e Estatística na Universidade de Lund (Suécia), onde obteve seu doutorado em História Econômica. Trabalhou no Ministério dos Transportes do Governo da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Atualmente, é professor Titular de História Econômica na USP. Especializou-se em Economia Internacional e História Econômica e formou uma miríade de alunos em nível de graduação e de pós-graduação na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH- USP).
Nesta edição publicamos um de seus textos acerca das formas de luta e uma poesia de sua lavra.
Trazemos ainda artigos internacionais escritos especialmente para Mouro pelo estudioso equatoriano Francisco Hidalgo e pelo professor da UNAM (México) Carlos Aguirre Rojas. Por fim, as ilustrações, resenhas e outros artigos tematizando criticamente os trinta anos do Partido dos Trabalhadores, o centenário da Revolução Mexicana e outros assuntos da história do marxismo fecham esta nova contribuição de uma nova revista marxista.
Mouro não aceita artigos para publicação. A revista é financiada exclusivamente pelas vendas e pelos editores (cujo trabalho é voluntário). Como não temos profissionais para análise de artigos enviados e emissão de pareceres, a comissão de redação estabelece os dossiês e convida os autores de acordo com o seu interesse. Mouro não mantém estoque (vide Vol. II de O Capital) de artigos. Atua just in time.
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Mouro 2
v. 1 n. 2 (2010)O Núcleo de Estudos d ́O Capital (fundado em 1991) apresenta ao público o segundo número de Mouro, sua revista marxista. Mouro, como todos sabem, era o apelido do velho Marx, devido à sua tez escura. Nesta edição apresentamos o grande líder africano Gungunhana, ao lado de análises das revoluções cubana e chinesa e de uma crítica da primeira parte do Filme “Che”, vivido nas telas pelo impressionante ator Benicio del Toro. A nossa permanente seção de marxismo apresenta estudos sobre Sartre e o jovem Marx, feitos por dois jovens historiadores. Em tempo: nossa revista é cientificamente rigorosa, mas não acredita que o rigor advenha de títulos acadêmicos, da falta de humor ou da ausência de arte. Por isso, publicamos jovens estudantes, acadêmicos estabelecidos, velhos militantes e autodidatas de todas as épocas que não precisaram comprar com diplomas o direito de pensar, como dizia o velho Engels. Os artigos são sempre encomendados de acordo com os dossiês, por isso a revista não aceita propostas de publicação.
Nosso homenageado nesta edição é o companheiro Edgard Carone, comunista e professor de várias gerações de historiadores da USP. Dono da obra mais importante sobre a República Velha e o movimento operário no Brasil e de invejável biblioteca marxista. Invejável mesmo! -
Mouro 1
v. 1 n. 1 (2009)'Mouro' é a nova revista teórica do Núcleo de Estudos d'O Capital. Ela foi concebida para ser uma contribuição para o estudo e análise da realidade contemporânea sob as várias óticas pertinentes ao Marxismo e também da trajetória do Socialismo.
O Núcleo de Estudos d'O Capital foi fundado em 10 agosto de 1992 com o objetivo de reunir estudiosos do Marxismo no âmbito da esquerda operária. Fiel ao espírito do Manifesto Comunista, o grupo considera que os marxistas nunca constituem um partido separado da classe trabalhadora, ao contrário, devem produzir reflexões que sirvam de apoio à prática política socialista.
Este primeiro número tem como dossiê o ano de 1968, que foi caracterizado por uma importante ruptura na história contemporânea. Todavia lançamos uma abordagem pouco explorada nos artigos e documentos sobre aquele evento, a saber: as opiniões contraditórias que foram externadas na época não só por conservadores, mas também por militantes comunistas e operários que defendiam uma idéia de revolução baseada na classe trabalhadora e não apenas numa juventude temporariamente deslocada de seu efetivo lugar da sociedade burguesa.

