Sobre a Revista

Revista Mouro ISSN (print) 2175-4519 e-ISSN 2175-4837

O Núcleo de Estudos d'´O Capital (fundado em 1991) apresenta ao público Mouro, sua revista marxista.
Mouro, como todos sabem, era o apelido do velho Marx, devido à sua tez escura.
Em tempo: nossa revista é cientificamente rigorosa, mas não acredita que o rigor advenha de títulos acadêmicos, da falta de humor ou da ausência de arte. Por isso, publicamos jovens estudantes, acadêmicos estabelecidos, velhos militantes e autodidatas de todas as épocas, que não precisaram comprar com diplomas o direito de pensar, como dizia o velho Engels. Os artigos são sempre encomendados de acordo com os dossiês, por isso a revista não aceita propostas de publicação.

Edição Atual

n. 16 (2026): Mouro: Revista Marxista, ano 13, n. 16, vol. 1
Capa da revista Mouro, número 16, volume 1 digital. Trata-se de xilogravura em que o retrato de Marx aparece com linhas diagonais e em cor bordô. Em texto, aparecem apenas o título da revista - MOURO - e o ano de 2025, pois a edição começou a ser preparada ainda em 2025.

Mouro-Revista Marxista apresenta uma novidade em sua 16ª edição: um volume em formato digital, lançado antes da versão física, antecipando alguns dos artigos que irão compor a versão final. Dessa forma, garantimos a divulgação de conteúdo que consideramos relevante de forma prévia, sem aguardar as vicissitudes da publicação em papel.

Isso não significa abandono do rigor com o material publicado ou descuido com a versão física, pelo contrário. Pretendemos garantir a intervenção no debate público divulgando reflexões que dialogam tanto com a conjuntura (efervescente) quanto com as questões estruturais da sociedade capitalista e de sua crítica sob o prisma marxiano. Por outro lado, pretendemos aperfeiçoar a qualidade do material gráfico, uma vez que não abrimos mão de associar política e arte. Daí a lacuna entre as publicações digital e em papel. Mas, como a elaboração e impressão requerem um tempo diferente em relação à divulgação digital, resolvemos adotar o formato que, de forma acidental e fugidia, acabou sendo antecipado na separata que homenageou Florestan Fernandes na edição 15.

Apresentamos ao público, então, os quatro primeiros artigos do volume I da edição 16. Lincoln Secco escreve em “Uma Memória da Revista Práxis” sua experiência pessoal como colaborador de uma revista que buscou, ao longo da década de 1990, resistir à onda antimarxista que se seguiu ao fim da União Soviética, bem como compreender os desafios que a abordagem marxiana enfrentava naquela conjuntura. Ao mesclar sua experiência pessoal com uma análise do período, Secco resgata as contribuições de importantes figuras da esquerda brasileira que marcaram presença na revista, como Florestan Fernandes, Jacob Gorender e Ronald Rocha. Frederico Duarte Bartz, em “Algumas Reflexões Acerca dos Lugares de Memória do Movimento Operário Paulistano”, discute como a urbanização de São Paulo entre o final do século XIX e início do XX criou espaços de sociabilidade e mobilização operárias que foram sendo gradualmente apagados da memória da cidade. Luiz Eduardo Simões de Souza e Eliziane Gava, em “A Crítica ao Programa de Gotha e a Nova Política Econômica (NEP): Uma Reflexão sobre a Transição ao Socialismo”, fazem uma análise da NEP soviética de 1925 à luz do texto clássico de Marx, datado de 1875, apontando para os desafios da transição de uma economia de mercado para uma economia socialista. Por fim, Janes Jorge, em “O Partido da Militância: Um Encontro de Base do Partido dos Trabalhadores na Cidade de São Paulo, em 2015”, resgata a história de uma experiência de organização de base do PT, em um momento de acirramento político, cujas consequências e desafios ainda se fazem presentes. No evento que dá origem ao artigo, foi possível identificar muitas ideias e sentimentos presentes na militância de base do período.

Cumpre notar que o artigo de Lincoln Secco se inscreve em um projeto da Mouro de resgate da história da revista Práxis, por meio da republicação digital de seu conteúdo, que conta com a colaboração inestimável de um de seus editores, o companheiro Néliton Azevedo. Já está disponível em nosso site o arquivo PDF da edição de número 10 da Práxis; e nosso projeto é disponibilizar todas as edições que estavam hospedadas no site já desativado da revista. É uma singela homenagem ao conjunto de camaradas que contribuiu para este importante empreendimento político e intelectual.

Esperamos que este primeiro volume da edição 16 agrade aos nossos leitores, tanto aos antigos quanto aos novos que a conhecem agora. E convidamos que aguardem o segundo volume, programado para o início de 2026.

            Boa leitura!

Publicado: 01-04-2026
Ver Todas as Edições

Revista Mouro (Qualis/CAPES B3)

ISSN 2175-4837

'Mouro' é a nova revista teórica do Núcleo de Estudos d'O Capital. Ela foi concebida para ser uma contribuição para o estudo e análise da realidade contemporânea sob as várias óticas pertinentes ao Marxismo e também da trajetória do Socialismo. O Núcleo de Estudos d'O Capital foi fundado em 10 de agosto de 1992 com o objetivo de reunir estudiosos do Marxismo no âmbito da esquerda operária.

Fiel ao espírito do Manifesto Comunista, o grupo considera que os marxistas nunca constituem um partido separado da classe trabalhadora, ao contrário, devem produzir reflexões que sirvam de apoio à prática política socialista.

Este primeiro número tem como dossiê o ano de 1968, que foi caracterizado por uma importante ruptura na história contemporânea.

Todavia lançamos uma abordagem pouco explorada nos artigos e documentos sobre aquele evento, a saber: as opiniões contraditórias que foram externadas na época não só por conservadores, mas também por militantes comunistas e operários que defendiam uma ideia de revolução baseada na classe trabalhadora e não apenas numa juventude temporariamente deslocada de seu efetivo lugar da sociedade burguesa.